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HÍBRIDO
Por Alemão*
dedicado à memória de Arthur C. Clarke
Não posso morrer.
Fui alterado geneticamente por extraterrestres, que me tornaram um híbrido de humano e os habitantes de um planeta longínquo da galáxia que eu nunca soube qual é, mas sinto que fica na extremidade do Braço de Órion, onde também se localiza nosso Sistema Solar.
Por que eu? Eu era um agente da Interpol que acabou sabendo demais a respeito do contato íntimo entre extraterrestres e governantes e fui punido por isto, ao insistir em continuar minhas investigações.
Conspiração envolvendo extraterrestres? Sei que o leitor vai torcer o nariz, acreditando que sou mais um esquizofrênico defensor da idéia de que os governos mantêm relação secreta com alienígenas, realizando algum tipo de colaboração científico-militar.
Mas, acredite, é mais ou menos isto.
Na verdade, quando o Exército americano localizou a primeira espaçonave extraterrestre, no Alasca, em 1917, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, portanto trinta anos antes do que se acredita até hoje, ela foi levada para um laboratório secreto de uma das bases militares americanas locais, onde passou a ser estudada cientificamente.
Porém, sete meses depois, uma equipe de resgate complanetária exigiu de volta a máquina e seus cadáveres, em alto e bom inglês sintetizado. Os militares, que nunca haviam obtido nenhum documento ou identificação dentro da espaçonave, porque naquela época ninguém sabia acionar equipamentos quânticos, blefaram, dizendo que haviam traduzido as informações, onde haviam descoberto uma guerra entre aquele povo e um outro, pelo controle das riquezas das estrelas ricas, como o nosso Sol e seus planetas cheios de produtos químicos diversos e atraentes para civilizações originárias de estrelas antigas e sua meia dúzia de elementos.
O blefe extraordinário foi criado pelo General John McVeigh, nomeado pelo governo americano como negociador com os extraterrestres. General McVeigh ameaçou: “Transmitam-nos toda sua tecnologia ou tornaremo-nos aliados de seus oponentes. Se nos fizerem qualquer questionamento sobre nossas descobertas ou o estado da nave e dos corpos dos tripulantes, nós os destruiremos imediatamente”. A equipe de resgate pediu um tempo para analisar a ameaça.
General McVeigh sabia que os alienígenas poderiam descobrir a qualquer momento que aquilo não passava de conversa fiada. Por isso McVeigh ordenou que não fizessem perguntas. Como por exemplo, o nome da civilização inimiga. O simples fato de que exigiam não fizessem perguntas já era um indício do blefe. Por isto, os militares americanos apressaram-se em encontrar cérebros bem-dotados que pudessem decodificar as possíveis informações registradas na nave.
Equipamentos mais sensíveis permitiram aos cientistas perceber que havia uma tênue atividade eletromagnética em determinados setores do painel da espaçonave, o que deu a eles a idéia de convidar físicos quânticos para examiná-la.
Ora, os melhores físicos quânticos da época viviam na Alemanha. Agentes secretos do Exército americano investigaram estes físicos, tentando descobrir algum que tivesse interesse em migrar para a América e trabalhar com eles. Mas como realizar este tipo de convite sem que os alemães em guerra percebessem? Não iriam colocar um anúncio no jornal.
Os americanos selecionaram quatro cientistas desacreditados na comunidade acadêmica germânica. Homens considerados excêntricos e criadores de hipóteses improváveis. Entre os quatro, escolheram Karl Von Grüberar. Solteiro, sem filhos, jovem, suas teses de mestrado foram reprovadas em três universidades alemãs e ele passou a viver em reclusão, deprimido, tentando o suicídio por duas ocasiões.
Os agentes seqüestraram Von Grüberar e o levaram para o Alasca. Disseram a ele que seria o único capaz de decifrar aquela máquina extraterrestre.
- Os cientistas nunca acreditaram em mim. Por que vocês acreditariam?
- Porque o Exército não tem nada a perder. – respondeu o tenente responsável pela segurança de Von Grüberar.
Empolgado, o alemão solicitou alguns materiais, construiu alguns equipamentos e com a ajuda de um imã, um lápis e um caderno, escreveu um relatório de quase cem páginas.
- Isso é tudo? – perguntou McVeigh.
Com um sorriso misterioso, Von Grüberar hesitou na resposta, mas encerrou:
- É tudo.
E General McVeigh compreendeu naquele sorriso que não era tudo o que Von Grüberar havia descoberto sobre a espaçonave, mas apenas o que ele resolveu contar aos outros terráqueos.
Por ordem de seus superiores, McVeigh mandou buscar Von Grüberar em seu alojamento. Faria o possível para retirar todas as informações da mente do cientista. Mas quando o tenente que o guardava entrou no alojamento, o alemão estava morto, com os pulsos cortados. Ao lado de seu corpo, apenas um bilhete: “Enviem saudações a Heisenberg”.
Heisenberg, criador do Princípio da Incerteza da Matéria.
As saudações jamais foram enviadas, pois os alemães jamais souberam do paradeiro de Von Grüberar, nome que jamais foi pronunciado em qualquer faculdade de física quântica, deixado na vala comum do esquecimento de milhares de cientistas como Karl Von Grüberar.
Porém, as 97 páginas do relatório do alemão serviram para que os americanos retificassem a ameaça. McVeigh estava certo. O maior blefe da galáxia. Os donos da nave que estava em mãos terráqueas de fato estavam em guerra, tanto quanto os humanos.
Os americanos iniciaram uma colaboração com os extraterrestres, mais ou menos como todos imaginam. Não é a toa que até hoje as Forças Armadas Americanas possuem a tecnologia mais avançada do mundo. Tecnologia que às vezes é colocada em domínio público, em pequenas gotas, a fim de acalmar os ânimos dos exaltados paranóicos defensores da idéia sem fundamento de que o Exército americano mantém colaboração científica com extraterrestres. Um exemplo foi a descoberta da freqüência infra-vermelha. A nano-onda quase foi anunciada, mas os militares decidiram continuar mantendo-a em segredo. Pois se um pequeno país do terceiro mundo onde 80% das pessoas passam fome conseguem construir uma bomba nuclear, sabe Deus o que aconteceria se os americanos colocassem em circulação uma tecnologia tão simples e barata como a nano-onda.
A diplomacia interplanetária americana, no entanto, quase veio abaixo, quando os inimigos de nossos aliados descobriram o Planeta Terra nos anos 60 e iniciaram pesquisas de campo para entender os humanos.
Os americanos tiveram que reagir imediatamente. Os Estados Unidos da América, através da CIA, passaram a corromper governantes e patrocinar golpes de Estado ao redor do mundo, a fim de que todos os países combatessem os alienígenas inimigos e mantivessem segredo sobre atividade extraterrestre na Terra.
Muita gente recebeu propina. Cuba e o Vietnã foram as moedas de troca com as quais os americanos negociaram com os soviéticos, preparados para envolver os novos alienígenas em sua guerra fria. Quem imaginava que o mundo estava próximo da Terceira Guerra Mundial nem desconfiava que a ameaça era aterradoramente maior. Ficamos próximos do envolvimento na guerra galáctica que se arrasta até hoje e não vai acabar tão cedo. Quando falo em tão cedo, falo em muitos e muitos anos. Bem, não sei ao certo. Apenas presumo.
E é por isso que nossas armas nucleares jamais foram destruídas. Sempre foram a nossa única garantia do não envolvimento na Guerra.
A Terra é a Suiça da Via Láctea. Estamos neutros, pois não temos motivos para ingressar numa guerra que não é da nossa conta.
Porém, Von Grüberar saudaria Heisenberg novamente. Não é só a matéria que é incerta. A vida como um todo é incerta.
Os governantes conseguiriam esconder a Conspiração por quanto tempo?
Um dia um avião cairia na Floresta Amazônica e dentro deste avião haveria um passageiro que ao ver o famoso “túnel de luz” da morte, não teria pudores em revelar seus conhecimentos ao primeiro ouvinte.
E esse primeiro ouvinte seria um oficial do Exército brasileiro, irmão de um agente da Polícia Federal brasileira. Eu.
Quando meu irmão me contou a respeito de uma Conspiração internacional envolvendo extraterrestres e militares, inicialmente não acreditei, como acontece com muitas pessoas.
Alguns acreditam imediatamente em qualquer bobagem. Outros são céticos. E estes são os piores. Pois o cético pode resolver tornar-se obcecado pela verdade e correr desesperadamente atrás dela.
Foi o que aconteceu comigo.
Quando a Interpol instalou um escritório no Brasil, fui um dos primeiros candidatos a me alistar na agência. Através da Interpol eu esperava ter acesso às evidências que eu precisava de que pelo menos o Brasil era parte integrante e importante da Conspiração.
Tornei-me um espião dentro da Interpol, revirando documentos ultra-secretos, aproveitando-me do fato de que a internet, no início, não possuía muitos mecanismos de segurança.
Acessei trocas de e-mails entre militares de várias línguas. Consegui ouvir ligações telefônicas interurbanas e outras comunicações.
Fui rastreado e descoberto e tive que fugir. Não de agentes secretos ou de militares. Mas dos próprios extraterrestres. Pois você pode fugir das autoridades por tempo indeterminado, mas não consegue fugir de quem olha a Terra de cima e pode localizar e abduzir qualquer pessoa ou coisa.
No dia 01 de novembro de 1992, estava andando por uma praia da Bahia, de madrugada, quando desmaiei e fiquei inconsciente por dez anos.
Acordei em algum dia do inverno de 2002, na mesma praia da Bahia e mantive-me em estado de amnésia por longas semanas.
Fui adotado por pescadores, que me alimentaram e abrigaram e colocaram minha foto na televisão local, de onde fui parar em rede nacional, mas jamais familiar algum meu reivindicou minha identidade, embora algumas famílias tivessem pedido testes de DNA para verificar se eu seria alguma das milhares de crianças desaparecidas ao longo das décadas, em todo mundo. Desaparecimentos muitas vezes creditado a extraterrestres, o que é uma bobagem. Os Aliados não precisam abduzir ninguém para fazer testes com humanos. Eles fazem lá de cima, em suas espaçonaves invisíveis, analisando cada uma de nossas células a 50 mil metros de distância.
Mas enfim eu descobri quem era. Foi cerca de três meses depois de ser devolvido à praia baiana.
Eu simplesmente acordei um dia com a memória restabelecida. Ou quase toda minha memória.
Eu acordei sabendo que meu corpo havia sido trocado por outro. Por isso nenhum parente me reconheceu na televisão nem nenhum teste de DNA deu resultado.
Eu sabia que havia sido um dos únicos e raros legítimos abduzidos por seres extraterrestres na Terra. Sabia que, dentro de um laboratório espacial dos Aliados, alguns de meus genes foram trocados minuciosamente, ao longo de uma década, para que eu me tornasse parecido com eles.
Também fiquei decepcionado em saber que nem o Brasil nem o mundo haviam mudado em dez anos. Até o presidente dos EUA era o mesmo.
Inicialmente não entendi o porquê desta experiência. E principalmente, eu me perguntava: de que exatamente eu seria capaz, sendo 15% extraterrestre?
Se eles queriam me retirar de circulação, por que não simplesmente me mataram?
Minha primeira singularidade, que alguém poderia chamar de “poder”, descobri quando os barcos dos meus amigos pescadores foram atacados violentamente por uma tormenta imprevista.
Da praia, pude ver os barcos mergulhados na escuridão tempestuosa, a vinte quilômetros da costa. Com minha mente, consegui erguer os barcos e trazê-los ao cais sãos e salvos. Não permiti que eles me vissem na praia. Por isto, até hoje acreditam em um milagre de Deus.
A partir daquele dia comecei a refletir. Devo me tornar um super-herói? Alguém com meus “poderes”, que continuo chamando “singularidades”, seria considerado uma espécie de messias? Logo alguém tentaria me matar, talvez alguma autoridade eclesiástica interessada em não perder os privilégios das religiões?
Passei a considerar-me um condenado brutal. Por que “eles” simplesmente não me mataram? Por que me transformaram numa aberração que jamais poderia realizar feito algum diante do sofrimento humano?
E se eu resolvesse me casar e ter filhos? Deveria contar a minha família quem sou? Meus filhos também seriam aberrações? Estaria eu dando origem a uma nova espécie híbrida de humano e alienígena?
Minha depressão chegou ao limite e decidi cometer suicídio.
Sem sucesso.
Posso dar um tiro na cabeça e não acontece nada. A bala atravessa minhas células sem tocá-las.
Não adianta me enforcar, me afogar, cortar os pulsos. Sou à prova de morte.
Ao descobrir isto, passei a cogitar a possibilidade de expor as minhas singularidades, pois ninguém poderia me ferir.
Antes que pudesse me divertir, brincando de super-herói, recebi visitantes. Eu estava andando na minha praia quando vi ao longe umas figuras diminutas, como se fossem crianças. Tentei ampliar minha visão, sem sucesso.
Tive medo. Quem na Terra estaria imune a meus “poderes”? Ninguém.
Mas aqueles pequeninos não eram os Aliados. Seriam quem? Os Inimigos? Queriam o quê comigo?
Quando cheguei bem perto, as tais “crianças” pareciam miniaturas de astronautas. Utilizavam roupas cinzentas e capacetes espelhados. Eu não consegui ver seus rostos. Eram dezoito pequeninos.
Meu medo passou a dissipar-se e aproximei-me mais ainda. Ajoelhei frente a eles. Não tinham mais que 60 cm de altura.
Um deles estendeu a mão, segurando um bastão de cor escura mas brilhante, como se fosse um quartzo ou alguma espécie de cristal.
Estendi minha mão um pouco trêmula e segurei o bastão.
Foi um autêntico download em alta-velocidade em meu cérebro.
A mensagem era um convite.
Comovidos com a punição que seus adversários haviam me infringido, recrutaram-me para fazer parte do Exército deles, onde minhas singularidades poderiam ser utilizadas sem receio algum.
Mas como eu poderia fazer o papel de um Gulliver moderno e solitário? Meu lugar era [aliás é] a Terra, no meio dos humanos. Falei isso em voz alta e em português para os pequeninos.
Aquele que segurava o bastão retraiu-o e o manuseou, como se estivesse digitando outra mensagem. Estendeu o braço novamente. Toquei o bastão. Outro download.
Tudo o que contei até agora me foi transmitido naquele momento. Soube da história de Karl Von Grüberar e outros detalhes.
O pequenino digitou outra mensagem no bastão. Esta me arrepiou todos os pelos do corpo. A mensagem seguinte dizia:
- Seu Planeta Terra será obrigado a entrar na guerra. Acontecerá muito em breve. Aguarde nossas instruções. Enquanto isto, tente localizar os outros Híbridos. Você foi o único que conseguimos encontrar e não sabemos o porquê. Em nossa cultura, quando não sabemos o porquê de algo, significa que este algo é importante.
- Acho que na cultura humana também. – completei.
Eles se viraram e começaram a andar para o lado oposto. Mas eu os interrompi, perguntando:
- Como vou me defender de seus inimigos?
O mesmo pequenino digitou outra coisa no bastão. A cada vez que ele fazia aquilo, eu ficava ainda mais ansioso em saber o que ele escrevia.
A última resposta foi a seguinte:
- Não se preocupe. Já negociávamos com os inimigos antes mesmo que vocês andassem sobre duas pernas. Não vão tocar em você.
Meus novos amigos partiram, dissipando-se no ar quente da praia.
Foi a primeira vez em que me senti bem, desde que retornei do espaço. É bom se sentir alguém, ter um motivo para viver. Fiquei até pensando: será que eles vão me dar uma patente? Tipo General da Legião Humana do Exército Extraterrestre?
Sobre os Híbridos, eu fazia idéia de onde começar a procura: nos jornais. Procuraria por pessoas surgidas de repente em algum lugar e não reconhecidas por ninguém.
Tive que dar adeus a minha nova família baiana. Quando estava na rodoviária, pensei: quando a Terra entrar na Guerra, serei sentimental a ponto de procurar defender primeiro a minha praia na Bahia? Ou então a minha família legítima, em São Paulo? Eu não sabia a resposta. Mas, como meu pequenino extraterrestre disse... quando não sabemos uma resposta, significa que isto é importante.
Fim
*Ex-Rynaldo Papoy

conto dedicado à memória de Arthur C. Clarke

Não posso morrer.

Fui alterado geneticamente por extraterrestres, que me tornaram um híbrido de humano e os habitantes de um planeta longínquo da galáxia que eu nunca soube qual é, mas sinto que fica na extremidade do Braço de Órion, onde também se localiza nosso Sistema Solar.

Por quê eu? Eu era um agente da Interpol que acabou sabendo demais a respeito do contato íntimo entre extraterrestres e governantes e fui punido por isto, ao insistir em continuar minhas investigações.

Conspiração envolvendo extraterrestres? Sei que o leitor vai torcer o nariz, acreditando que sou mais um esquizofrênico defensor da idéia de que os governos mantêm relação secreta com alienígenas, realizando algum tipo de colaboração científico-militar.

Mas, acredite, é mais ou menos isto.

Na verdade, quando o Exército americano localizou a primeira espaçonave extraterrestre, no Alasca, em 1917, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, portanto trinta anos antes do que se acredita até hoje, ela foi levada para um laboratório secreto de uma das bases militares americanas locais, onde passou a ser estudada cientificamente.

Porém, sete meses depois, uma equipe de resgate complanetária exigiu de volta a máquina e seus cadáveres, em alto e bom inglês sintetizado. Os militares, que nunca haviam obtido nenhum documento ou identificação dentro da espaçonave, porque naquela época ninguém sabia acionar equipamentos quânticos, blefaram, dizendo que haviam traduzido as informações, onde haviam descoberto uma guerra entre aquele povo e um outro, pelo controle das riquezas das estrelas ricas, como o nosso Sol e seus planetas cheios de produtos químicos diversos e atraentes para civilizações originárias de estrelas antigas e sua meia dúzia de elementos.

O blefe extraordinário foi criado pelo General John McVeigh, nomeado pelo governo americano como negociador com os extraterrestres. General McVeigh ameaçou: “Transmitam-nos toda sua tecnologia ou tornaremo-nos aliados de seus oponentes. Se nos fizerem qualquer questionamento sobre nossas descobertas ou o estado da nave e dos corpos dos tripulantes, nós os destruiremos imediatamente”. A equipe de resgate pediu um tempo para analisar a ameaça.

General McVeigh sabia que os alienígenas poderiam descobrir a qualquer momento que aquilo não passava de conversa fiada. Por isso McVeigh ordenou que não fizessem perguntas. Como por exemplo, o nome da civilização inimiga. O simples fato de que exigiam não fizessem perguntas já era um indício do blefe. Por isto, os militares americanos apressaram-se em encontrar cérebros bem-dotados que pudessem decodificar as possíveis informações registradas na nave.

Equipamentos mais sensíveis permitiram aos cientistas perceber que havia uma tênue atividade eletromagnética em determinados setores do painel da espaçonave, o que deu a eles a idéia de convidar físicos quânticos para examiná-la.

Ora, os melhores físicos quânticos da época viviam na Alemanha. Agentes secretos do Exército americano investigaram estes físicos, tentando descobrir algum que tivesse interesse em migrar para a América e trabalhar com eles. Mas como realizar este tipo de convite sem que os alemães em guerra percebessem? Não iriam colocar um anúncio no jornal.

Os americanos selecionaram quatro cientistas desacreditados na comunidade acadêmica germânica. Homens considerados excêntricos e criadores de hipóteses improváveis. Entre os quatro, escolheram Karl Von Grüberar. Solteiro, sem filhos, jovem, suas teses de mestrado foram reprovadas em três universidades alemãs e ele passou a viver em reclusão, deprimido, tentando o suicídio por duas ocasiões.

Os agentes seqüestraram Von Grüberar e o levaram para o Alasca. Disseram a ele que seria o
único capaz de decifrar aquela máquina extraterrestre.

- Os cientistas nunca acreditaram em mim. Por que vocês acreditariam?

- Porque o Exército não tem nada a perder. – respondeu o tenente responsável pela segurança de Von Grüberar.

Empolgado, o alemão solicitou alguns materiais, construiu alguns equipamentos e com a ajuda de um imã, um lápis e um caderno, escreveu um relatório de quase cem páginas.

- Isso é tudo? – perguntou McVeigh.

Com um sorriso misterioso, Von Grüberar hesitou na resposta, mas encerrou:

- É tudo.

E General McVeigh compreendeu naquele sorriso que não era tudo o que Von Grüberar havia descoberto sobre a espaçonave, mas apenas o que ele resolveu contar aos outros terráqueos.

Por ordem de seus superiores, McVeigh mandou buscar Von Grüberar em seu alojamento. Faria o possível para retirar todas as informações da mente do cientista. Mas quando o tenente que o guardava entrou no alojamento, o alemão estava morto, com os pulsos cortados. Ao lado de seu corpo, apenas um bilhete: “Enviem saudações a Heisenberg”.

Heisenberg, criador do Princípio da Incerteza da Matéria.

As saudações jamais foram enviadas, pois os alemães jamais souberam do paradeiro de Von Grüberar, nome que jamais foi pronunciado em qualquer faculdade de física quântica, deixado na vala comum do esquecimento de milhares de cientistas como Karl Von Grüberar.

Porém, as 97 páginas do relatório do alemão serviram para que os americanos retificassem a ameaça. McVeigh estava certo. O maior blefe da galáxia. Os donos da nave que estava em mãos terráqueas de fato estavam em guerra, tanto quanto os humanos.

Os americanos iniciaram uma colaboração com os extraterrestres, mais ou menos como todos imaginam. Não é a toa que até hoje as Forças Armadas Americanas possuem a tecnologia mais avançada do mundo. Tecnologia que às vezes é colocada em domínio público, em pequenas gotas, a fim de acalmar os ânimos dos exaltados paranóicos defensores da idéia sem fundamento de que o Exército americano mantém colaboração científica com extraterrestres. Um exemplo foi a descoberta da freqüência infra-vermelha. A nano-onda quase foi anunciada, mas os militares decidiram continuar mantendo-a em segredo. Pois se um pequeno país do terceiro mundo onde 80% das pessoas passam fome conseguem construir uma bomba nuclear, sabe Deus o que aconteceria se os americanos colocassem em circulação uma tecnologia tão simples e barata como a nano-onda.

A diplomacia interplanetária americana, no entanto, quase veio abaixo, quando os inimigos de nossos aliados descobriram o Planeta Terra nos anos 60 e iniciaram pesquisas de campo para entender os humanos.

Os americanos tiveram que reagir imediatamente. Os Estados Unidos da América, através da CIA, passaram a corromper governantes e patrocinar golpes de Estado ao redor do mundo, a fim de que todos os países combatessem os alienígenas inimigos e mantivessem segredo sobre atividade extraterrestre na Terra.

Muita gente recebeu propina. Cuba e o Vietnã foram as moedas de troca com as quais os americanos negociaram com os soviéticos, preparados para envolver os novos alienígenas em sua guerra fria. Quem imaginava que o mundo estava próximo da Terceira Guerra Mundial nem desconfiava que a ameaça era aterradoramente maior. Ficamos próximos do envolvimento na guerra galáctica que se arrasta até hoje e não vai acabar tão cedo. Quando falo em tão cedo, falo em muitos e muitos anos. Bem, não sei ao certo. Apenas presumo.

E é por isso que nossas armas nucleares jamais foram destruídas. Sempre foram a nossa única garantia do não envolvimento na Guerra.

A Terra é a Suiça da Via Láctea. Estamos neutros, pois não temos motivos para ingressar numa guerra que não é da nossa conta.

Porém, Von Grüberar saudaria Heisenberg novamente. Não é só a matéria que é incerta. A vida como um todo é incerta.

Os governantes conseguiriam esconder a Conspiração por quanto tempo?

Um dia um avião cairia na Floresta Amazônica e dentro deste avião haveria um passageiro que ao ver o famoso “túnel de luz” da morte, não teria pudores em revelar seus conhecimentos ao primeiro ouvinte.

E esse primeiro ouvinte seria um oficial do Exército brasileiro, irmão de um agente da Polícia Federal brasileira. Eu.

Quando meu irmão me contou a respeito de uma Conspiração internacional envolvendo extraterrestres e militares, inicialmente não acreditei, como acontece com muitas pessoas.
Alguns acreditam imediatamente em qualquer bobagem. Outros são céticos. E estes são os piores. Pois o cético pode resolver tornar-se obcecado pela verdade e correr desesperadamente atrás dela.

Foi o que aconteceu comigo.

Quando a Interpol instalou um escritório no Brasil, fui um dos primeiros candidatos a me alistar na agência. Através da Interpol eu esperava ter acesso às evidências que eu precisava de que pelo menos o Brasil era parte integrante e importante da Conspiração.

Tornei-me um espião dentro da Interpol, revirando documentos ultra-secretos, aproveitando-me do fato de que a internet, no início, não possuía muitos mecanismos de segurança.
Acessei trocas de e-mails entre militares de várias línguas. Consegui ouvir ligações telefônicas interurbanas e outras comunicações.

Fui rastreado e descoberto e tive que fugir. Não de agentes secretos ou de militares. Mas dos próprios extraterrestres. Pois você pode fugir das autoridades por tempo indeterminado, mas não consegue fugir de quem olha a Terra de cima e pode localizar e abduzir qualquer pessoa ou coisa.

No dia 01 de novembro de 1992, estava andando por uma praia da Bahia, de madrugada, quando desmaiei e fiquei inconsciente por dez anos.

Acordei em algum dia do inverno de 2002, na mesma praia da Bahia e mantive-me em estado de amnésia por longas semanas.

Fui adotado por pescadores, que me alimentaram e abrigaram e colocaram minha foto na televisão local, de onde fui parar em rede nacional, mas jamais familiar algum meu reivindicou minha identidade, embora algumas famílias tivessem pedido testes de DNA para verificar se eu seria alguma das milhares de crianças desaparecidas ao longo das décadas, em todo mundo. Desaparecimentos muitas vezes creditado a extraterrestres, o que é uma bobagem. Os Aliados não precisam abduzir ninguém para fazer testes com humanos. Eles fazem lá de cima, em suas espaçonaves invisíveis, analisando cada uma de nossas células a 50 mil metros de distância.

Mas enfim eu descobri quem era. Foi cerca de três meses depois de ser devolvido à praia baiana.
Eu simplesmente acordei um dia com a memória restabelecida. Ou quase toda minha memória.
Eu acordei sabendo que meu corpo havia sido trocado por outro. Por isso nenhum parente me reconheceu na televisão nem nenhum teste de DNA deu resultado.

Eu sabia que havia sido um dos únicos e raros legítimos abduzidos por seres extraterrestres na Terra. Sabia que, dentro de um laboratório espacial dos Aliados, alguns de meus genes foram trocados minuciosamente, ao longo de uma década, para que eu me tornasse parecido com eles.
Também fiquei decepcionado em saber que nem o Brasil nem o mundo haviam mudado em dez anos. Até o presidente dos EUA era o mesmo.

Inicialmente não entendi o porquê desta experiência. E principalmente, eu me perguntava: de que exatamente eu seria capaz, sendo 15% extraterrestre?

Se eles queriam me retirar de circulação, por que não simplesmente me mataram?

Minha primeira singularidade, que alguém poderia chamar de “poder”, descobri quando os barcos dos meus amigos pescadores foram atacados violentamente por uma tormenta imprevista.

Da praia, pude ver os barcos mergulhados na escuridão tempestuosa, a vinte quilômetros da costa. Com minha mente, consegui erguer os barcos e trazê-los ao cais sãos e salvos. Não permiti que eles me vissem na praia. Por isto, até hoje acreditam em um milagre de Deus.

A partir daquele dia comecei a refletir. Devo me tornar um super-herói? Alguém com meus “poderes”, que continuo chamando “singularidades”, seria considerado uma espécie de messias? Logo alguém tentaria me matar, talvez alguma autoridade eclesiástica interessada em não perder os privilégios das religiões?

Passei a considerar-me um condenado brutal. Por que “eles” simplesmente não me mataram? Por que me transformaram numa aberração que jamais poderia realizar feito algum diante do sofrimento humano?

E se eu resolvesse me casar e ter filhos? Deveria contar a minha família quem sou? Meus filhos também seriam aberrações? Estaria eu dando origem a uma nova espécie híbrida de humano e alienígena?

Minha depressão chegou ao limite e decidi cometer suicídio.

Sem sucesso.

Posso dar um tiro na cabeça e não acontece nada. A bala atravessa minhas células sem tocá-las.

Não adianta me enforcar, me afogar, cortar os pulsos. Sou à prova de morte.

Ao descobrir isto, passei a cogitar a possibilidade de expor as minhas singularidades, pois
ninguém poderia me ferir.

Antes que pudesse me divertir, brincando de super-herói, recebi visitantes. Eu estava andando na minha praia quando vi ao longe umas figuras diminutas, como se fossem crianças. Tentei ampliar minha visão, sem sucesso.

Tive medo. Quem na Terra estaria imune a meus “poderes”? Ninguém.

Mas aqueles pequeninos não eram os Aliados. Seriam quem? Os Inimigos? Queriam o quê comigo?

Quando cheguei bem perto, as tais “crianças” pareciam miniaturas de astronautas. Utilizavam roupas cinzentas e capacetes espelhados. Eu não consegui ver seus rostos. Eram dezoito pequeninos.

Meu medo passou a dissipar-se e aproximei-me mais ainda. Ajoelhei frente a eles. Não tinham mais que 60 cm de altura.

Um deles estendeu a mão, segurando um bastão de cor escura mas brilhante, como se fosse um quartzo ou alguma espécie de cristal.

Estendi minha mão um pouco trêmula e segurei o bastão.

Foi um autêntico download em alta-velocidade em meu cérebro.

A mensagem era um convite.

Comovidos com a punição que seus adversários haviam me infringido, recrutaram-me para fazer parte do Exército deles, onde minhas singularidades poderiam ser utilizadas sem receio algum.
Mas como eu poderia fazer o papel de um Gulliver moderno e solitário? Meu lugar era [aliás é] a Terra, no meio dos humanos. Falei isso em voz alta e em português para os pequeninos.
Aquele que segurava o bastão retraiu-o e o manuseou, como se estivesse digitando outra mensagem. Estendeu o braço novamente. Toquei o bastão. Outro download.

Tudo o que contei até agora me foi transmitido naquele momento. Soube da história de Karl Von Grüberar e outros detalhes.

O pequenino digitou outra mensagem no bastão. Esta me arrepiou todos os pelos do corpo. A mensagem seguinte dizia:

- Seu Planeta Terra será obrigado a entrar na guerra. Acontecerá muito em breve. Aguarde nossas instruções. Enquanto isto, tente localizar os outros Híbridos. Você foi o único que conseguimos encontrar e não sabemos o porquê. Em nossa cultura, quando não sabemos o porquê de algo, significa que este algo é importante.

- Acho que na cultura humana também. – completei.

Eles se viraram e começaram a andar para o lado oposto. Mas eu os interrompi, perguntando:

- Como vou me defender de seus inimigos?

O mesmo pequenino digitou outra coisa no bastão. A cada vez que ele fazia aquilo, eu ficava ainda mais ansioso em saber o que ele escrevia.

A última resposta foi a seguinte:

- Não se preocupe. Já negociávamos com os inimigos antes mesmo que vocês andassem sobre duas pernas. Não vão tocar em você.

Meus novos amigos partiram, dissipando-se no ar quente da praia.

Foi a primeira vez em que me senti bem, desde que retornei do espaço. É bom se sentir alguém, ter um motivo para viver. Fiquei até pensando: será que eles vão me dar uma patente? Tipo General da Legião Humana do Exército Extraterrestre?

Sobre os Híbridos, eu fazia idéia de onde começar a procura: nos jornais. Procuraria por pessoas surgidas de repente em algum lugar e não reconhecidas por ninguém.

Tive que dar adeus a minha nova família baiana. Quando estava na rodoviária, pensei: quando a Terra entrar na Guerra, serei sentimental a ponto de procurar defender primeiro a minha praia na Bahia? Ou então a minha família legítima, em São Paulo? Eu não sabia a resposta. Mas, como meu pequenino extraterrestre disse... quando não sabemos uma resposta, significa que isto é importante.

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Pessoal, na sexta, dia 22, à 19 horas, haverá uma comemoração em homenagem ao 15 anos do lançamento de meu único livro.

Todos convidados, entrada franca.

Obs: não vai ser sarau, vai ser festinha mesmo.

Obrigado!

460>_739849

Agora sim, um dos cartazes da exposição.

Detalhes que me foram pedidos:

OBJETIVO

Exposição comemorativa dos quinze anos de lançamento do único livro de poemas de Rynaldo Papoy, escritor paulistano radicado em Guarulhos/SP.

Em 1993, Rynaldo Papoy lançou seu único livro de poesias, "Suicídio Espiritual", por uma editora independente, após quatro anos de luta, economizando todos os centavos para pagar a edição. Transcreveu todos os poemas no blog http://suicidioespiritual.blogspot.com .
 
A editora não cumpriu com suas obrigações e não divulgou nem distribuiu o livro, o que o deixou traumatizado e resolveu nunca mais publicar um livro por uma editora independente.
 
Os detalhes desta história pretende contar nas apresentações [ver abaixo].
 
Seus amigos e leitores sempre lhe cobraram outro livro e ele nunca deixou de pensar em como não decepcioná-los.
 
Desde muito tempo, Rynaldo Papoy já tinha planos de fazer algum evento comemorativo, quando o livro completasse 15 anos de publicação, ou seja, em maio de 2008.
 
Neste meio tempo, adentrou o teatro, cinema, música e tinha planos de montar uma empresa a fim de conseguir aprovação de projetos junto à lei Rouanet, para tocar seus projetos, inclusive publicando um novo livro de poemas inéditos, simultaneamente às comemorações dos 15 anos do primeiro livro.

Os poemas podem ser lidos no blog http://suicidioespiritual.blogspot.com . Aqui também tem informações: http://www.overmundo.com.br/agenda/rynaldo-papoy-suicidio-espiritual-15-anos-depois .

Em anexo, encaminhamos alguns poemas, juntamente com alguns comentários escritos sobre seus poemas.

CURRÍCULO DE RYNALDO PAPOY

Rynaldo Papoy nasceu em São Paulo em 1970.

Começou “brincando” de fazer paródias de músicas de sucesso ainda aos 12 anos. Aos 14 começou a escrever suas próprias letras de música e submetê-las a grupos musicais, porém eram consideradas insólitas demais, impossíveis de ser transformadas em música. Neste mesmo ano começou a escrever poemas e letras de música.

Decidiu estudar violão aos 17 anos mas não deu prosseguimento às aulas, considerando-as maçantes.

Deixou um pouco a música de lado, dedicando-se apenas à poesia. Deu início à publicação de seu único livro de poemas, “Suicídio Espiritual”, lançado em 1993, mas voltou a estudar violão por conta própria por volta dos 22 anos, criando mais algumas canções.

Em 1991, passou a estudar teatro, onde atua até hoje, tendo já apresentado duas peças de sua própria autoria.

Só adentrou um grupo musical mesmo aos 25 anos. Foi convidado a tocar bateria numa banda chamada The Alfacers e para isto teve que aprender bateria “da noite para o dia”. Aproveitou sua participação na banda para compor mais canções e teve a oportunidade de iniciar-se na arte do canto.

O grupo musical desfez-se em 1997, mas Papoy ainda tocou bateria em mais dois grupos, até 1999.

No ano de 2002, voltou a estudar violão com afinco, realizando suas primeiras apresentações no final de 2003.

Neste mesmo ano, lançou um livro independente com um texto teatral, “O Deserto”.

Gravou um álbum de demonstração em 2004 e realizou várias apresentações em teatros e bares, ao longo do ano de 2005.

Tem se mantido afastado dos palcos desde esta época, mas continua produzindo músicas no computador, através de softwares de áudio, algumas servindo de base para grupos de rap dos EUA [Papoy participa de um destes projetos, escrevendo letras e cantando].

Mantém parceria com alguns artistas e produtores, como André Abujamra.

Rynaldo Papoy também produz vídeos com suas próprias músicas e teve uma de suas criações incluídas na trilha sonora do filme “Monstro Legume do Espaço 2”, de Petter Baiestorf.

Seu estilo busca todas as formas de experimentação acústica. Do rock à mpb, passando pela black music e sons considerados “industriais”, ou seja, baseados em ruídos diversos.

Mantém um intenso trabalho em blogs na internet, tendo ampla participação em sites do Brasil e também de Portugal.

Seu estilo literário é difícil de ser definido. Sofreu grande influência da literatura beatnik e marginal mas também das letras do rock, como dos grupos punk e outros, como Legião Urbana, Titãs e os britânicos The Smiths. Também considera-se bastante inspirado no movimento surrealista.

ALGUNS POEMAS

FALO

Morte é um tubarão;
há uma carta a ser remetida;
há um jornal a ser xerocado;
há uma dívida a ser paga...

Morte é um tubarão;
há uma depressão a ser sanada;
há uma eleição a ser sofrida;
há algo a ser descoberto...

Morte é um tubarão;
há um disco a ser comprado;
há uma mina a ser achada;
há um cara a ser esquecido...

Morte é um tubarão;
há uma explicação a ser dada;
há um lago a ser explorado;
há uma boceta a ser metida...

Morte é um tubarão;
há uma festa a ser desprezada;
há uma festa a ser fodida;
há garrafas a ser esvaziadas...

Morte é um tubarão;
há um poema a ser escrito;
há um futuro a ser sonhado;
há uma porra a ser gozada...

Morte é um tubarão;
há um estupro a ser envergonhado;
há uma criança a ser crescida;
há uma adolescente a ser criança...

Morte é um tubarão;
há um sentimento a ser apodrecido;
há um livro a ser terminado;
há um filme a ser assistido;

Morte é um tubarão;
há uma página a ser virada;
há uma Maçã-do-Amor a ser batida*;
há uma tv a ser lembrada...

Morte é um tubarão;
há uma volta a ser voltada;
há um porre a ser desmaiado;
há uma filosofia a ser refletida...

Morte é um tubarão;
há uma casa a ser limpada;
há um texto a ser corrigido;
há um trabalho a ser continuado...

Morte é um tubarão;
há uma guitarra a ser solada;
há um cérebro a ser imaginado;
há um fim a ser vistado...

Morte é um tubarão;
há um pênis a ser lambido;
há um ânus a ser cagado;
há uma boca a ser beijada...

Morte é um tubarão;
há um tubarão a ser pescado;
há uma vida a ser matada;
há uma morte a ser morrida...

[...]

será que existe alguém tão inútil quanto eu?
será que existe alguém tão que não faz nada quanto eu?
será que existe alguém tão que nunca fez nada quanto eu?
será que existe alguém tão com o futuro tão promissor quanto eu?
será que existe alguém tão incapaz de por idéias em prática quanto eu?
será que existe alguém tão sonhador quanto eu?

sou uma merda humana
que dia é hoje?
nem lembro mais
quinta feira?
que horas acordei?
4?
que horas vou dormir?
6?
que fiz ontem?
que vou fazer amanhã?

novamente espararei pelo domingo quando comprarei os jornais e procurarei emprego sem achar merda nenhuma

novamente ficar o dia inteiro
sentindo o cheiro inodoro de meu nariz
sentindo o gosto insípido de minha boca
vendo a cor incolor de meus olhos

tenho olhos?
por que ninguém nunca me disse?
ninguém nunca me diz nada
há alguma diferença entre ser branco ou negro
e eu sou qual deles?
sou branco de alma negra ou negro de alma branca?
cinza de alma cinza?
sou cinzas e quando morrer me transformarei em herói
e lembrarão de minhas filosofias
e lerão meus poemas
e todas as garotas vão me desejar
e meus parentes chorarão por mim [mesmo que de mentirinha]
e meu amigos me convidarão para ir na casa deles e se oferecerão para vir na minha
e certas garotas vão dizer embora você seja feio e pobre eu te amo porque você tem algo interessante na cabeça descontando os cabelos e dentes terríveis

qual a merda de minha missão?
não se deve revelar planos e revelei um sem querer mas não faz mal
graças a Deus que acabou a página

TENTE ENCONTRAR A TERCEIRA MARGEM
Formas
de vida
e de morte ilusória.
Ilusória.
Tanta ilusão chega à loucura.
Quando não encontra a minha barreira...
Razão
Tão boba.
Reverto a razão para a
realização.
Presente.
Que é um respingo do passado
e do futuro
formando uma nuvem radioativa
destruindo minha
minha
minha criancice.

Tempos animais,
Tempos animais começaram a fervilhar
patos.
Patos?
Não sei quando, sei lá:
Mas depois e muito depois depois
- e depois das dores -
lã de ovelhas!
Lã de ovelhas nas alergias de sons... sons... sons...
Que não passam de barulho.
É,

para onde vou,
sem esperança nem filmes,
nem festivais estivais de
Vaga-Lumes
que não economizam energia
por serem patriotas.
Nojento
verme rasteiro e nojento
que é essa vida débil mental de i
magens -
na terceira margem do rio estou te esperando!

Venenos
me dê para beber [os diferentes]
para que eu te esqueça
até o momento de ter certeza.
Eu sei que você me ouve.
Eiu sei que você lê o que escrevo.
Não adianta fingir que não ouve ou liga.

Liga...
Descubra um telefone onde eu esteja,
veja na lista,
deve haver alguma coisa.
Pra quê?
Oh, que clichê mais besta.
O que faríamos nesta segunda-feira?
Talvez dormir junto.
Dormir mesmo, com os olhos fechados.
E meus olhos

estão substituindo todos os meus
outros sentidos.
Olhe para mim de verdade!

VERSOS
Uma palavra designa algo.
Não sei o que significa.
Mas é algo: vida.
Uns choram. Outros sorriem.
Diante dela, a vida.
De onde veio? Para onde vai?
Tem o Deus – inexplicável.
Tem o Universo – misterioso.
Tem o Homem – complexo.
Eu acordo às 7 horas.
Depois de dormir.
Às vezes sonho.
São sempre os mesmos sonhos, desde criança.
Muito variados, mas sempre os mesmos.
São sempre outras dimensões
De lugares comuns.
Muitos deles são fantasmagóricos.
Muitos deles são com pessoas fantasmagóricas.
E muito são com pessoas
Que vivem em meus sentimentos fantasmagóricos.
Eu adorava ser criança.
Só brincadeiras inocentes.
Mas hoje são brincadeiras criminosas.
As surras.
O egoísmo condenado pelo Carma.
Lembro-me de tudo isso.
Mas também me lembro
De minhas viagens solitárias
Àquela rasteira e introspectiva vegetação.
Vivo numa das maiores cidades do mundo.
Desgraça urbana.
Ela sempre me enlouquece.
Porque nasci nela?
Mesmo que não tivesse nascido
Acabaria migrando.
Meus pais não nasceram aqui.
Meus avós não nasceram aqui.
Se eu tiver, onde vão nascer meus filhos?
Pego o ônibus às 7 e 50.
Escrevo poemas.
Falam de tudo que lembro.
Divisão política.
Injustiça.
Capitalismo.
Ameaça nuclear.
Devastação da natureza.
Poluição.
Cretinos militares.
Cretinos religiosos.
Povo burro.
Subdesenvolvimento.
Fome.
Desemprego.
Migração.
Corrupção.
Pistoleiros.
Mordomias.
A cidade é imunda.
O povo é porco.
Ruas sem asfalto.
Ruas esburacadas.
Mendigos.
Ladrões.
Poluição, poluição, poluição.
Chego em casa e ouço música da boa.
Para esquecer a ignorância
Que é 90% do planeta.
Minhas pernas doem.
Não descanso o suficiente.
Continuo sem nada nem ninguém.
Amaria amar e ser amado de volta,
Sem infidelidade.
E fazer muito sexo.
Sexo com uma garota.
Não faço o tipo de nenhuma.
É uma pena – que posso fazer?
Resta-me sofrer.
Minha vida é só isso. Só.
Só. Uma grande palavra.
Tudo a ver com vida.
A cada dia sinto que sou desprovido de vida.
Todos têm vida.
Menos eu.
Recentemente criticaram-me.
Por coisas tolas, mas que me deixaram triste.
Por viver no meio de pessoas estúpidas.
Que eu não gostaria que lessem meus poemas.
Nada que faço me faz sentir vivo.
Trabalho, sinto fome.
Como as costumeiras porcarias.
Cago.
Passo o tempo com berebas.
Bato uma punheta.
Pego no pênis.
E fricciono para cima e para baixo.
Vendo fotos ou fantasiando mulheres.
Orgasmo – um sentimento artificial.
Eu era meio vivo na adolescência,
Quando descobri o orgasmo.
Tinha esperanças de viver após os 18.
Mas nada aconteceu.
O que é o beijo?
Sexo de línguas sem transmissão de energia.
Nenhum orgasmo.
Dialoguei com ela.
Ela parecia um líquido.
Foda-se.
Ela não quis receber minha esporra
No fundo de sua boceta.
Digo-lhe um “Adeus...”
Mas ouço músicas...
E músicas... músicas... músicas...

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Vai começar.

Ponto de Cultura Parque Continental
Rua Paulo Freire, 39B - Parque Continental 2 - Guarulhos/SP

Aline... será que ela vai?

http://www.guarulhos2zero.com.br/publicacao/video/104/

Finalista do Festival Guarulhos 2.zero.

Pessoal, a primeira reunião da peça "Recicle! Recicle! Recicle!" será hoje, às 19 horas, no Ponto de Cultura Parque Continental.

Rua Paulo Freire, 39B - Parque Continental 2 - Guarulhos/SP

11 64586139

Interessados em teatro, artes plásticas e reciclagem estão convidados.

Faça o download do primeiro texto, de 2003. Este texto será reformulado.

Duas mulheres e um homem foram sentenciados a 24 anos de prisão nesta sexta-feira acusados de maltratar uma criança de oito anos, a qual eles acusavam de ter ligações com bruxaria.

A menina, hoje com dez anos, passou por momentos de tortura: ficou sem ser alimentada, apanhou, sofreu cortes em seu corpo, foi ferida com pimenta nos olhos e quase morreu afogada em um canal no norte de Londres porque sua tia e dois amigos achavam que ela era uma "bruxa".

A tia, uma mulher de 40 anos que não teve seu nome revelado para que a identidade da criança fosse protegida, terá que cumprir dez anos de prisão por atos de crueldade contra uma criança.

Os dois amigos, Sita Kisanga, 35, de Londres, recebeu uma sentença de dez anos por três acusações de ajudar e encorajar atos de crueldade contra uma criança. Sebastian Pinto, 33, deve cumprir uma pena de quatro anos, pelas mesmas acusações de Sita, que é sua irmã.

Todos os três foram condenados no mês passado.

Tortura

Ao ler a sentença, o juiz Christopher Moss afirmou que o trio conduziu uma "campanha de crueldade que se transformou em uma campanha de tortura".

Procuradores afirmaram que a tia tirou a menina da Angola e a levou para o Reino Unido em 2002, e a registrou como sua filha.

As reclamações contra os supostos atos de bruxaria da menina começaram há dois anos, quando a tia morava com Kisanga, que tem um filho de oito anos. O garoto começou a reclamar que a menina usava técnicas de bruxaria, saindo durante as noites para "amaldiçoar" as pessoas.

A tia já tinha até mesmo feito planos de colocar a menina em uma mala e jogá-la no New River, um canal ao norte de Londres. Mas, depois de terem forçado a entrada da garota na mala sem sucesso, Pinto "lembrou" ao grupo que eles poderiam ir para a cadeia por matá-la.

Essa não é a primeira vez que crianças no Reino Unido são envolvidas em assuntos relacionados à bruxaria. Em 2001, os policiais encontraram no rio Tâmisa o tronco de um garoto. O corpo trazia vestes laranjas. Segundo especialistas em religiões africana, havia indícios de que o garoto havia sido vítima de um sacrifício ritual.

http://papoypoemas.blogspot.com

Saciedade dos Poetas Vivos - Volume X - Sexos

A Editora Blocos costumava, nos anos 90, publicar edições especiais de poesia. Eu participei da edição sobre "sexos".
Vou postar neste blog meus poemas originais, mas iniciar com os poemas do livro "Saciedade dos Poetas Vivos - Volume X - Sexos", lançado em 1997.

CORPOS EM CHAMA CAEM NO ABISMO

há milhões de anos, sei teu nome.
há milhões de anos, não sei o meu.
gostaria de conhecer as profundezas de teu nome.
a dor existe antes do sofrimento.
nossos corpos existem antes de nossas almas.
não há mais festa - não existo em minha casa.
teu corpo é meu caixão; meu corpo é tua podre ponte.
mergulha no esgoto, sente na língua meu sabor.
quero em minhas mãos, teu coração pulsante.
quero dentro de teu estômago, meus pés.
bebe minha mente; bebereis teus ovários?
bebo tua mente; beberás meus testículos?

[1991- poema que fiz para minha primeira namorada]

Disturb

skdfjasjdijdgoj

???

Como não entrou aqui, pode ser visto aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=CUm87li4B-Y

Directed by Rynaldo Papoy

Samples by Massive Attack and Black Divan.

Remixed, produced and directed by Rynaldo Papoy

[PLAY]

Remix from Beastie Boys.

Designed and directed by Rynaldo Papoy.

[PLAY]

Pipes and drums by Rynaldo Papoy.

[PLAY]

Sampling by Kraftwerk. Produced and directed by Rynaldo Papoy.

[PLAY]

 
[PLAY]

Sampling by Massive Attack and Jean Sibelius.

[PLAY]

Sampling by Kraftwerk and Gyorgy Ligeti.
Produced and directed by Rynaldo Papoy

[PLAY]

This is my best video.

[PLAY]

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